Prefeito de Nova Iguaçu é acusado ainda de prometer cargos e beneficiar gráfica de irmão
O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), acusou ontem o deputado federal Rogério Lisboa (DEM) de estar por trás das denúncias de supostas irregularidades na prefeitura da cidade, publicadas na edição desta semana da revista "Isto É". A reportagem divulgou o conteúdo de uma gravação na qual a ex-secretária de Recursos Humanos da prefeitura Lídia Cristina Esteves acusa Lindberg de desviar recursos do Programa Bairro Escola para ele e a mulher, Maria Antônia Goulart.
Ainda segundo a gravação, Lídia diz que a folha de pagamento da prefeitura seria impressa na Paraíba, por uma gráfica que pertenceria ao irmão de Lindberg. O texto divulga que Lindberg distribuiria cerca de cem cargos comissionados - muitos deles, "fantasmas" - para cada vereador que o apoiasse.
- A fita foi gravada pelo Rogério e pelo repórter sem a autorização de Lídia. Ela foi procurada, dias pós ter sido demitida, em 2006, e quando fez aquelas acusações estava bêbada. Lídia foi afastada, após descobrirmos que ela incluía irregularmente pessoas na folha de pagamento da prefeitura - disparou Lindberg. - Quando a fita aparecer, a voz do Rogério vai estar lá, se nenhuma edição foi feita. Ele quer me desmoralizar porque se uniu ao Nélson Bornier, que, assim como eu, também será candidato à prefeitura.
O prefeito nega todas as supostas irregularidades na prefeitura mostradas pela revista, que revela ainda a existência de um vídeo, no qual um assessor de Lindberg diz que ele entregaria R$60 mil de propina ao procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira. Lindberg foi enfático:
- O vídeo não existe. Quero que eles mostrem na Justiça.
Procurado, o deputado Rogério Lisboa não foi localizado. O vereador Celso Valentim (PHS) disse que protocolará amanhã na Câmara um pedido de afastamento de Lindberg, enquanto as acusações são investigadas:
- As acusações não são novidade para a maioria dos vereadores. Eu já havia denunciado na tribuna da Câmara. Vou pedir a abertura de uma CPI.
O Globo